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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Reflexo

Eu sempre fui assim, não adianta. Desde que me conheço como homem vivo desejando todas as mulheres por quais eu cruzo. E depois que cruzo com elas... Não sei se é doença, mas eu gosto de ser assim. E as mulheres também. Elas pedem, mesmo que inconscientemente, para que a comam, a destruam no maior sentido do prazer. Elas se vestem para o sexo o tempo todo. Freud estava certo. Ele afirmou que o sexo é instinto inconsciente em todos nós. Quando o ser humano vê alguém interessante, automaticamente ele pensa em sexo. Guarde sua hipocrisia para educar as crianças. Sexo é bom e fico pensando que mal há nele a ponto de ser um tabu entre as pessoas? Pura dissimulação de gente que não assume o que deseja. Ainda mais pela cidade, onde estão todos espalhados, preocupados com suas reuniões e aparelhos de última geração. Maridos viajando em suas loucuras corporativas enquanto as esposas ficam à mercê dos outros machos que, por sua vez - nem todos, claro - ficam à espreita de uma oportunidade. Eles trazem dinheiro pra casa, mas esquecem de, também, vir com a fúria corporal existente no homem. Com desejo de sexo, de amor, de carinho, a fim de satisfazer suas companheiras. E depois? E depois reclamam ou, de forma injusta, a julgam com as mais baixas nomenclaturas quando elas se sentem assim, euforicamente ansiosas por uma bela e faminta rola. Somos humanos, porra. E, independente de sermos homem ou mulher, possuímos desejos, fantasias, vontades, volúpias... E aí? E aí aparece alguém disposto a dar o melhor de si, a acompanhá-las nos momentos mais íntimos, a estar presente estrategicamente nas horas de carência, de se dedicar exclusivamente nas horas escondidas, e acaba que elas acabam se entregando, mesmo que não num primeiro momento – o que não muda nada, convenhamos. Eu sou assim. Desde pequeno eu soube captar a essência feminina. Me lembro quando criança de estar sempre atrás de alguma menina. Literalmente falando. Eu disfarçava um tropeção pra roçar a bunda delas ou fingia dor pra tocá-las. E elas gostavam. O instinto é humano e não depende de sexo. Após um tempo, elas se insinuavam, mesmo que de forma inocente ou inconscientemente. Não desvirtuei nenhuma delas. Sempre as respeitei. Isso que fazem aí fora é covardia. Tremenda sacanagem. Eu apenas alimentava a fêmea com o cheiro peculiar de um homem com desejos. E elas, como todas as fêmeas, captavam esse cheiro, repito: mesmo que tenha sido de forma inconsciente, e como se estivessem sido conduzidas, se entregavam. Sempre soube absorver e capturar com um olhar o desejo e carência que delas era expelido. Não me considero um depravado ou pervertido, pelo contrário. Eu não saio por aí cantando ou falando besteira a qualquer mulher que passa. Eu possuo respeito e exigo o mesmo, que fique claro. Acontece que quando a gente gosta e é aficcionado por uma coisa, a gente acaba exalando isso. Meio que fica escrito na cara o quão gostamos de determinada coisa. Acredito que comigo aconteça isso. Eu não rotulo ou pré-julgo ninguém. Apenas exponho o que penso e gosto e na maioria das vezes a mulher sente interesse. Fazer o quê? O marido ou namorado não gosta, mas eu e elas gostamos, entendeu? No fundo acho que até faço o bem. Entendo que relacionamentos são difíceis. Depois de um bom tempo de convivência, a coisa ou piora ou se acomoda. O cara já não liga pra mulher como antes por diversos motivos. A mulher vai sentindo-se desvalorizada, sentindo-se incapaz de despertar algo na pessoa com quem decidiu viver e acaba se acomodando. Se enfeiando e não percebendo isso. E aí a relação esfria sentimentalmente. Sexualmente, praticamente inexiste. É aí que entro pra salvar a relação. Com algo extraconjugal, a mulher não se sente tão desvalorizada. Ela se sente desejada em determinados momentos e acaba não levando “problemas” nem estresses ao marido que, por sua vez, em determinado estágio de vida, só quer paz e arroz. Ela não foca mais em casa. Seus pensamentos agora são de outros. A porteira foi aberta, meu camarada. E as coisas acontecem simplesmente porque precisam acontecer. Ela agora, envaidecida e envaidecendo-se, tem outro tipo de empolgação que está bem distante do fogão e do ferro. Sendo assim, deste modo, não há porque negar a afirmação de que acabo levando (mesmo sem estar presente) paz às relações terceiras, num é verdade? E ainda tem nego que me acha vulgar e canalha?? Ah, vão se foder. Eu gosto disso mesmo e assumo. Eu amo. Eu adoro sexo. E elas também. Repito toda hora porque isso me faz bem, me acalma e me dá paz. Os executivos em suas reuniões desejam apenas lucro e cifras altíssimas. As esposas deles, desejam apenas um cartão de crédito ( que eles fornecem ) e uma boa e gostosa gozada ( nesse caso, fornecido por mim). É ou não é um bom negócio?? Elas pedem, volto a repetir. Elas gostam. Pedem que eu dê na cara delas. Eu capricho. Nada de porrada, apenas dosados e tentadores tapas que a deixam com aquela sensação de êxtase. Sentem-se dominadas, desejadas, devoradas, consumidas, consumadas....deliciam-se em mim enquanto me delicio nelas. É justo, concorda? Em meio a tanto caos urbano, tanta violência, as pessoas precisam trabalhar menos e gozar mais, é ou num é? Porém, quem enxerga isso?? E aí, uma me recomenda pra outra, que passa meus desejos pra uma terceira, que me liga e marca de sair. Elas já sabem o que quero e já sabem também o que desejam. Não há porque esperar outra coisa. Amor elas têm em casa com os filhos, cachorros que nutrem carências e amigas com quem irão fofocar depois ao telefone que virá com a conta cara que será paga pelo marido. Com isso, não tem perda de tempo, coisa rara e sagrada hoje em dia. Elas pedem mais, pedem que eu as prove, experimente, lamba, chupe-as, sussurre, grite, aperte....elas querem viver, coisas que os relacionamentos atuais não permitem ou impedem. Elas querem viajar. Desejam sentir-se damas, meninas, moças, puritanas, cachorras, piranhas, safadas, vadias. Sabem que não são e possuem potencial bem longe disso. Muitas também são executivas, possuem seus altos cargos e suas responsabilidades lá no topo. Mas, ao menos pra mim, não esquecem que antes disso tudo são mulheres e, assim como elas, possuem suas maiores fantasias e loucas vontades de se entregar de verdade pra alguém que não está nem aí pra pudores ou pré-julgamentos. Elas, assim como nós, possuem seus desejos e vontades acumuladas por essa sociedade pra lá de hipócrita onde o homem pode ter amantes e comer as amigas das amantes, inclusive. A mulher – tadinha – a mulher fica em casa com a barriga no tanque. Sociedade que tanto buscou a igualdade dos sexos fazendo com que elas tenham se descoberto, se revelado, se soltado e hoje estão aí. Pro que der, dar e vier. Hoje elas trabalham, malham, ensinam, lecionam, buscam as crianças no colégio, pagam contas, riem, gargalham, e no fim dos dias também conseguem estar lá, com a barriga no tanque e mexendo a concha enquanto termina o feijão. A diferença de antigamente é que, hoje em dia, atrás dela tem alguém mordendo seus ombros, puxando seu cabelo, passeando com a mão por suas coxas, costas, lambendo e provando cada cm daquele corpo que anseia relaxar. O homem tão sonhado deliciosamente esfrega sua barba na nuca dela, que arrepia enquanto fecha os olhos e sente a respiração dele, a língua encharcando seus ouvidos, no mesmo momento em que um abafado gemido escapa dos lábios dela. As mãos do seu dono naquele momento descobrem suas partes mais íntimas, apertam sua cintura, sua bunda, mordem suas coxas, mordiscam seus seios, apertam , beliscam seu corpo intocado. Ele é voraz, guloso, animal, tudo que ela, neste momento, sente ser mais que ele. Ela não pensa em mais nada, apenas na louca vontade do momento. Ela já cumpriu o seu papel do dia. Ela já honrou os pagamentos, colocou as crianças pra dormir, deu atenção (que não é recíproca ) ao marido, agendou e marcou reuniões e todas essas coisas que as mulheres fazem em casa após um dia exaustivo. Agora ela tem tempo pra ser ela, ou melhor, dos desejos dela. Sem vergonha alguma...Ela anseia o momento que vai virar, morder e provar aquele cara. O momento em que vai ajoelhar, passar as mãos pelo homem e, sem pudor ou espécie de vergonha alguma, abrir o fecho éclair e engolir aquela pica inteira. Provando, saboreando, engolindo, esfregando na cara, batendo com ele no rosto, chupando o saco e repetindo esse processo por inteiro. Ela olha nos olhos dele. Ela se sente molhada, encharcada, e quer mais enquanto os olhos semi cerrados denunciam a liberdade de qualquer tipo de medo com a situação. Ela quer mais. Muito mais. Nem o marido na sala de casa a espanta. Foda-se ele no momento, fodam-se eles, ela e o cara, que nesta altura esta abrindo as pernas dela e deliciosamente mordiscando a buceta que implora por algo mais. “Me fode”, é o que pensa agora. Ou acha que pensou, mas falou, sussurrou, fraquejou com força e certeza. Ele aperta sua bunda enquanto, com a língua, experimenta todos os sabores que ela a ele proporciona. Foda-se o mundo. Fodam-se eles, obviamente. Ela pensa no quanto as relações estão falidas e no quanto, há tempos, ela deseja um momento como este. Uma cena como esta. Ela se perde em meio a prazeres e devaneios. Ela pensa e não age, apenas geme com sofreguidão, quase chorando. Ela sofre de prazer, se afoga entre soluços, desejos e vontades. Ela não percebe mais nada. Já está entregue no exato momento em que ele penetra com toda força sua já não mais usada buceta. Há quanto tempo ela não sente algo do gênero? Há quanto tempo não sente essa coisa louca, essa sensação de sentir-se preenchida, domada, usada, adorada e adorando? Ela sente o pau desvirginá-la novamente. Ela não percebe, mas já está de quatro na beira do tanque enquanto o cara soca gostoso, enquanto com uma mão a pega pelos cabelos e a outra castiga seu rabo com deliciosos e “ mais, bate mais, bate mais” tapas... Ela quer mais. Ela não quer mais nada. Ela ouve em alto e bom som: “ Geme sua vadia, geme. Era isso que você queria. Rebola gostoso, pois você queria isso: pica.”. Ela obedece, ela delira só com a sensação de obedecer. De sentir-se bem fodida. E ele não para: “Vai piranha, sinta-se desejada enquanto te uso, te como, delicio-te e me dou prazer...”. E então ela desfalece, ela delira, ela voa, flutua...e nesse tempo, enquanto flutua, mal percebe que já encontra-se de joelhos, com a boca aberta e a cara toda lambuzada, jorrada, suja e inundada de porra que ela chegou até a esquecer se gostava ou não disso.... ela sorri, ela gargalha, ela desfalece de vez, se sentindo de uma forma tão livre e feliz, talvez como nunca tivesse se sentido na vida. E, em meio a esta felicidade, ela não percebe que seu homem foi embora e que tudo não passou de deliciosos momentos de desejos e fantasias em sua mente carente... Eu sou assim, entende? Eu gosto de sexo. Elas gostam, elas desejam e eu também. Não me culpe por ser assim, digamos, imparcial com seus desejos e vontades mal-saciadas. Eu sou assim...e é isso que importa

terça-feira, 7 de junho de 2011

Pecado


Porque, baby, fuder contigo é minha oração. Repito enquanto me ajoelho, que seja bom, que seja luz, no escuro, noites e noites em claro. Céu, inferno, paraíso, morte, perdição, salvação. Eu e você. Cuspe, gozo, mais e mais e novamente. Morro e renasço em tí e para tí. Braços abertos. Pernas também.

Você crê em mim?

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Palavras

- Homens que usam boné ou chapéu, de acordo com Freud, tem problemas sexuais.- decidi falar já meio bêbada. Saco cheio. A noite até ali tinha sido uma grande merda.

Era mais um final de noite, mais um. Nada de interessante se apresentava que pudesse melhorá-la. Comecei a pensar em como chegar em casa ensaiando passos silencioso para não acordar nem mãe nem cachorro bravo e dormir. E acordar. Pensei na ressaca vã. Nada demais.

Ele de alguma forma passou a ser foco quando riu do meu comentário imbecil. Bar quase vazio, nós na última mesa. Amiga mais bêbada que eu:

- Você leva ela para casa?- pergunta a traidora dos meus desejos de sossego.

- Será um prazer.- Responde o rapaz.

Policial. Não confere. Novinho demais. Não confere. Estou bêbada demais. Não confere.

Chegamos no portão da minha casa. O cachorro milagrosamente não latiu. Nos beijamos.

Confere.

Quando ele enfiou o dedo na minha buceta eu já estava tão molhada que o seu dedo entrou dentro de mim com facilidade. Nada a perder- pensei. Meninos são fáceis de lidar e já faz algum tempo...


- Você é puta? Você é?- sussurou no meu ouvido enfiando outros dedos e me enchendo de desejos e ensopando calcinha, que já, a essa altura, estava quase no chão.

- Você quer que eu seja?- respondo.

A buzina deve ter acordado alguém quando minha perna levantou demais e eu me coloquei em seu pau ou talvez tenha sido meu cotovelo ou eu que inteira bati onde não devia. Eu não contei, mas gozei já ali.

Esse menino talvez, apenas talvez, pensei, valesse mais que uma trepada no carro.

- Eu quero que você fale.- ele pede.

- O que você quer que eu fale?- falo gozando novamente.

Filho da puta dos infernos, ele é um homem que fala demais- penso.

- Tudo - Você cospe em meu ouvido.

- Enfia em mim. Mete em mim.- Grito.

Ele enfia o pau na minha boceta. Fundo. Mais. Muito. E de novo. Buzinas novamente.

- Você é puta?- pergunta novamente.

- Sou, eu sou puta. É isso que você quer? É isso que você quer, porra?

Abro mais as pernas mais e ele delicada e sensualmente enfia o dedo na minha bunda.

- Eu quero comer sua bunda.- afirma.

- Hoje não- respondo.

Arrependo logo depois.

- Eu vou gozar. Eu vou gozar, seu puto. Quer me sentir gozando?- grito (?)

- Goza, goza, goza, goza- ele repete. Eu obedeço.


- Agora eu vou gozar na sua boca.- ele determina. Novamente obediente. Eu.

Calo a boca.

Enfim.



Pego minhas chaves. Sem troca de telefones, sem promessas.

Comecei a pensar em como entrar em casa ensaiando passos silencioso para não acordar nem mãe nem cachorro bravo e dormir. E acordar. Pensei na ressaca vã.

Nada demais?


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Calor

Ontem eu acordei no meio de um pesadelo. Madrugada alta, calor nos quase quarenta. Eu nua e sedenta. Sento em frente à geladeira e depois de passar gelo entre os lábios e os seios, encho uma taça com o resto de vinho que me espia e me enche das lembranças de ontem.

Brasa entre as pernas.

Bebo e sigo em direção a janela e aos gritos e gemidos e pedidos e sussurros no apartamento ao lado.

Escuto um pouco e me decido.

Apenas alguns metros no corredor escuro, a taça entre os dedos, um leve tremor de expectativa nas mãos.

Toco a campainha. Vocês abrem sorrisos e portas.

Eu abro as pernas.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Para ler escutando tango



Eu tirei a roupa lentamente. Despida em vermelhos. Preto no branco.
Rosa na boca, olhos borrados em lágrimas de desejo antecipado e não-realizações.
Eu tirei a roupa para outro.
Você.
Não. Não. Não.
Amor das minhas vidas todas.
Ontem eu morri em não-você.
Ainda aceitas esta dança? Comigo?

P.S: Mais tango, baby? E dos bons? Aí do lado.
Beijos dramáticos para todos vocês, queridos e queridas.

sábado, 4 de setembro de 2010

Bonito

Eu quero que você arranque minha roupa e me faça gritar. Rasgue. Despedace. Eu. Quero que cubras minha boca na hora que eu grite de pedidos e vontades.

Você sabe que é meu, não sabe?

E que molhada assim só em tua língua e em você, você, você. Ais e uis.

Fazes a mim e para o que sou quando abres meu sutiã sorrindo escrotamente. Penso. Quando me fazes chorar em teu pau de tanto (di(e))vagar em mim. Sobre. Além.

Sonho.

E eu sonhei ontem que chegavas. Outra vez. Não batias na porta, mas davas palmadas carinhosas, fortes, carinhosas, sem eu saber mais o que nem onde. Na minha bunda. Como sempre foi ou deveria ser sempre, homem meu.

E eu gozava e gozava e ais e uis... você em mim...

E aí acordei.

Porque não vens logo?

Você sabe que é meu, não sabe?

Eu sou sua. Suo.


O que é bonito?

Lenine

O que é bonito

É o que persegue o infinito
Mas eu não sou
Eu não sou, não...
Eu gosto é do inacabado
O imperfeito, o estragado que dançou
O que dançou...
Eu quero mais erosão
Menos granito
Namorar o zero e o não
Escrever tudo o que desprezo
E desprezar tudo o que acredito
Eu não quero a gravação, não
Eu quero o grito
Que a gente vai, a gente vai
E fica a obra
Mas eu persigo o que falta
Não o que sobra
Eu quero tudo
Que dá e passa
Quero tudo que se despe
Se despede e despedaça

O que é bonito...



sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Alma beijada



Era para que eu ter escrito antes da Merteuil aqui, já que a primeira parte da música era minha, assim como combinamos dia desses, apaixonadas que somos (como quase toda mulher que honra a cinta-liga que usa) por Chico Buarque. Mas adiei, adiei, adiei.

Enfim, cedo. Eis o conto. ponto.


Quando ele, no dia que o conheci, me deu seu sorrisinho de canto de boca que ainda hoje, um ano depois, ainda acho uma glória, eu já estava pronta. E já pertencia de forma total aquelas mãos, já me sabia sem saída e sem juízo. É claro que todo mundo adora o safado. Eu também, eu também, eu também. Mais que tudo. Mais que todos.

Ele chegou na minha vida um dia depois do meu aniversário de dezoito anos e eu ainda era mais menina do que o que pode-se chamar de mulher feita. Entre livros e músicas e sapatilhas passei sem notar pelos rapazes cheio de espinhas e más-intenções e mãos-bobas. Também pelos espelhos que não os que me mostravam pés em ponta e disciplina. Então não pude entender o porquê da sua chegada em mim, assim, como um predador. Eu presa.

Foi na boca dele que minha beleza se revelou. Que me soube e me entendi mulher. Mas romantizo, entenda... como disse antes, livros demais... Tentarei ordenar pensamentos e palavras para que saibas porque estou aqui e o que quero.

Eu estava saindo da aula de ballet, em roupas largas e passos rápidos quando um carro parou ao meu lado. Hoje sei que ele tem trinta e oito anos. Na época me pareceu um deus. Um presente atrasado. Mas na hora exata. Pensei em destino e em poesia.

Ele não falou nada e abriu a porta do carro para mim. Eu nem por um minuto hesitei. Queria sentar ao seu lado, mesmo que passageiramente. Hoje mesmo sabendo muito, também o faria. Novamente. Sem hesitar. Ele perguntou onde eu morava e eu balbuciei que não queria ir para casa. Foi aí que ele riu. E eu quase morri. Perguntou para onde eu queria ir, meu nome. E eu muda. Ele perguntou minha idade e eu me apressei em contar dos dezoito. Ele riu novamente e ligou o carro. Acelerou e alguns minutos depois, tentei me concentrar na música torcendo que ela disfarçasse o som do meu coração aos pulos. Era aquela música de Chico, sabe qual é?

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

Ele perguntou se eu já tinha sido beijada daquele jeito e eu só fiz balançar a cabeça em uma negativa tímida. Ele abaixou o volume, desligou o carro e me encarou. Virei o rosto e vi que estávamos numa praia. Não tive medo algum. Então ele, com uma mão terna me virou o rosto e me obrigou a olhar dentro dos seus olhos e com voz clara e doce me perguntou.

- Você quer que eu te beije assim?

Não lembro de ter falado, mas sei que meus olhos devem ter gritado que sim. Porque ele não demorou para ainda me encarando, delicadamente abaixar a alça da minha blusa e muito, muito devagar, me mordiscar o ombro. Senti meus pelos da nuca eriçarem, minha calcinha molhar quando ele começou a ir com leves beijinhos, como flores ou como penas subindo dos ombros para o pescoço do pescoço para a orelha da orelha para o rosto. Boca. Ele passou sua língua bem devagar na minha boca que se abriu num convite. Ele me beijou durante muito, muito tempo, até que eu mesma tirei a blusa e coloquei sua mão sobre um dos meus seios.

Com a ponta dos dedos ele circundou levemente meu seio que arrepiava. Eu achei que nada podia ser melhor, até que ele abaixou e enquanto uma das suas mãos insistia nessa carícia, sua língua iniciou outra doce tortura. Arfei e gemi. Ele parou o que estava fazendo, abriu a porta do carro e saiu. Eu cobri os seios com as mãos, mas não tive nenhum pudor em alguns segundos depois ir atrás dele. Já era noite. Ele estava de costas, contemplando sei lá o que. Tirei o resto das roupas sem que ele visse. Me aproximei e toquei de leve em seus ombros. Ele não virou. Beijei suas costas. Ele permaneceu onde estava. Então abracei-o, encostei meu corpo no dele numa tentativa inútil de me fundir naquele homem para sempre.

Ele virou, me olhou nos olhos e nos deitamos no chão. Ele tirou as próprias roupas e novamente me beijou. Abriu minhas pernas e alí se demorou muito tempo. Foi quando ele enfiou levemente um dedo em mim enquanto sua língua já estava brincando com meu grelo há algum tempo, que gozei pela primeira vez.

Ele perguntou se eu sabia seu nome.

- Você é o meu amor.- Eu respondi.

Vejo que você continua não entendendo o porque d´eu te contar tudo isso. Uma desconhecida. Mas está excitado. É o que me interessa. Serei clara, então. Depois desta primeira vez, estamos sempre juntos, eu estou sempre disponível, basta um telefonema, um aceno. Mas sei que ele tem outras. Muitas outras. As pessoas tem pena de mim. Eu mesma, por vezes, tenho muita pena de mim mesma.

E hoje eu escolhi você. Porque sim, eu amo esse homem de sorriso de canto de boca. E pertenço de forma total aquelas mãos, me sei sem saída e sem juízo. Mas quero ao menos tentar recuperar alguma resquício da minha alma de volta. E acho que só tem esse jeito. Então, você que trepar comigo hoje?

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Fora das horas

Há dentro de mim uma paisagem
entre meio-dia e duas horas da tarde.
Aves pernaltas, os bicos
mergulhados na água,
entram e não neste lugar de memória,
uma lagoa rasa com caniço na margem.
Habito nele, quando os desejos do corpo,
a metafísica, exclamam:
como és bonito!
Quero escrever-te até encontrar
onde segregas tanto sentimento.
Pensas em mim, teu meio-riso secreto
atravessa mar e montanha,
me sobressalta em arrepios,
o amor sobre o natural.
O corpo é leve como a alma,
os minerais voam como borboletas.
Tudo deste lugar

Adélia Prado

Eu acordei fora das horas. E quero enquanto estendo mãos e braços que estejas. Quando estás, espreguiço gostoso. Gostosa- você fala. Eu levanto rápido e escovo os dentes, endireito os cabelos, ajusto o lençol em torno do meu corpo e me jogo ao teu lado. Sorrio e te beijo. Levanto. Faço café e charme. Ninguém vê nada do que esfria. Você arranca lençol e vergonha. Eu rindo desajeitada morro no seu dedo. Na sua boca. No nosso gozo.

Nosso dia devia sempre começar assim.

Há dentro de mim uma paisagem
entre meio-dia e duas horas da tarde.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Caralho

Eu queria tanto que você me fudesse.

-Assim, assim...

Bem devagar.

Com força.

Enfia seu pau em mim até que eu peça. Implore.

Fode.

- Para que tá me machucando.

Fode.

Eu te quero tanto que não dói.

- Me fode, caralho!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Falando em cinema...

Eu olhava teus seios e volteavas e sorrias. Dança. Dança.
E agora?
-Puta. Puta. Puta.
Eras aquela que eu sonhava depois do beijo da minha. Mãe.
Te desejo em cada mulher que passa e tem brilho diferente. Em pulseiras, em batons vermelhos ou em olhares.

- Seja homem! Seja homem!
Nada é tão simples como tú. No entanto, danças?

Assistam: Nine.

Lucia y el sexo

Esse filme foi uma descoberta. Lindo. Recomendo. Mas nada a falar que não se torne poesia.

Porque as águas eram claras.
Eu, turva. Entre as pernas. Em mim. Latejares extenuantes, mas poesia em excesso. Quis gritar.
Solo, Chão. De bairro fui feita, ao barro voltarei.
Suja.
Limpaste-mes com línguas e mãos e toques e delicadezas.
- Arfar é um quase afogar-se na respiração.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Criação

Para S., pelos seus maravilhosos trabalhos (dos quais sempre me aproprio e/ou me inspiram). "We are prostitutes".

Enfia nessa porra de papel em branco, caneta e lápis e pincéis e aquarela, usa um programa ou outro e me define. Me faz mulher.

- Assim? Assim? Mais? Mais?

- Agora? Agora? Posso? Posso? hummmmmmmmm. hummmmm. aaaaaiiiiiiii.....

- Sim, sim, sim. Quase... quase... qqqquuuuuaaaaaaasssssseeeeeeeeee.......

- Sou sua, baby. Para sempre.

domingo, 1 de agosto de 2010

L´amour. Ah!

Obra: Shiko


Tirou a calcinha e o sutiã. Pretos. Um dedo a chama. Ele levanta o vestido e se mostra.
Uma boca qualquer grita. E beija. E abre suas pernas e a lambe. Círculos lentos e molhados, dedos, um, dois, três. Deita entre os quatro.
Mãos, línguas, dedos, paus, cheiros, bucetas. Excesso.
Goza.
Bebe mais um gole da garrafa ao lado do colchão, pequeno demais, opressivo demais, antes de ficar de quatro, entre os quatro.
Excesso. Goza. Goza. Goza.
Acorda e não há mais ninguém. Bebe outro gole da garrafa ao lado e volta a dormir.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Cor


Essa é uma música para ser escutada e doída e sangrada e gargalhada e sentida com pele e nervos à flor. Não necessariamente nesta ordem.

A cor do desejo
Ney Matogrosso

A tua boca anda oca

Da minha língua

da minha língua

A minha língua anda à míngua

Sem tua boca

sem tua boca

Exatos são os teus olhos que invadem

E me revelam teu coração

Exata é a cor do teu deserto

A dor do teu deserto

Exatos são teus beijos que me acertam

E a ti revelam meu coração

Exata é a cor do teu desejo

A dor do teu desejo


Para mim a cor do desejo é muita.

Azul-claro para dias de sol morninho, apesar do céu sem nuvens e para sorrisos safados trocados na praia, entre cervejas e amigos.
Azul-caneta, manchado nos dedos da mão, ao escrever cartas que jamais serão enviadas.
Amarelo nos amanheceres com café-da-manhã e beijo leve de dentes escovados e roupa
vestida e maquiagem feita.
Verde por causa dos cheiro de jardim e da vontade de colher flores e dançar nua.
Cinza para os que não consigo.
Rosa para os que descarto.
Branco para os que me deixam cega.
Negro quando é preciso, de tanto, apagar as luzes para esquecer onde se está.

Vermelho com você, meu homem.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Vida fácil

Música: Viver de amor de Chico Buarque. Canta: Marlene

Com um sorriso cansado de reconhecimento, ela cumprimenta o bêbado que mora em papelões na frente do seu prédio antigo. Para um pouco ao seu lado e aceita um gole de uma garrafa qualquer oferecida com mãos sujas e boca sem dentes. Faz uma careta, cospe e recebe um gargalhada em troca.

Continua andando.

Arrasta a bolsa de alças compidas pelo chão e num das mãos de unhas vermelho-sangue descascadas nas pontas, carrega seus tamancos de saltos altíssimos. A boca já está já sem batom, os olhos borrados. Também vermelhos. Injetados.

Aquela seria a hora dos pássaros começarem a cantar na sua cidade. Mas não naquele lugar cinza de fumaça e de ódio.

Chuta uma porta e começa lentamente a subir o primeiro dos cinco lances de escada que vão dar no seu quitinete mofado. Muquifo. Cospe de novo.

- É um quarto-sala mobiliado, a descarga não está funcionando, use o balde. Mas não pode trazer macho para cá, viu, puta? Aqui nos damos aos respeito.

Relembra fragmentos da noite e vomita num canto qualquer lá pelo primeiro andar. Canta alto para incomodar vizinhos e esquecer. Não esquece.

Pra se viver do amor

Há que esquecer o amor

Há que se amar

Sem amar

Sem prazer

E com despertador

- como um funcionário

Aquel dia acordara num lugar estranho, com o celular tocando, sempre programado para fazê-la despertar em horror. Três da tarde. Havia sangue no meio das suas pernas.

Procura sua calcinha, se limpa. Preta. Sorte. Ao vesti-la, enxerga os dois homens que roncam por perto. Reconhece os filhos-da-puta dos policiais de sempre. Porcos. Estavam de folga e queriam se divertir. Porcos. Tenta não acordá-los e procura a bolsa. Abre. Porcos. Perdera o dinheiro da noite. Mas ainda estou viva, suspira.

Quando sai do banheiro, onde tentara se recompor na frente de um espelho cinza, o mais alto deles a empurra de encontro e com a cara na parede. Ela sente o cheiro de sexo e sujeira quando ele coloca o pau para fora, depois de segurar as suas mãos. Sente uma mordida nas suas costas. Forte demais. Porco. Enquanto ele a enraba, ela morde o lábio para evitar gritar de dor. Não que acordar o outro filho da puta. Ia ser bem pior, ela sabia.

Ele goza rápido, suando e dá um tapa na sua bunda com uma piscadela de olho. Ela séria, o encara. Ele bate-lhe na cara.

- Sorri para mim, vadia!

Ela sorri. Consegue ir embora.

Há que penar no amor

Pra se ganhar no amor

Há que apanhar

E sangrar

E suar

Como um trabalhador

Em casa, joga a calcinha no lixo. Porcos. Banho, esfrega corpo e vê as manchas roxas nas pernas e na barriga. Merda. Está atrasada e não consegue esconder com a base barata a marca dos dentes tatuadas nas costas. Merda.

Sai correndo na chuva. A saia curta e top amarelo são substituídos por uma outra pouca roupa qualquer. Tira-a na frente de homens que bebem e gritam palavrões, enquanto se esfrega num mastro de metal frio. De costas até o chão. Arreganha as pernas na frente de um gordo senhor, pega nos peitos. Passa a língua pelos lábios e faz um pequeno gesto de quem vai arranhar alguém.

Sai do palco e senta na mesa do tal gordo. Primeiro conhaque, segundo, terceiro. Fácil, pensa. Vão para o quarto. Ele tira da carteira um saquinho. Cheiram juntos. Ele bate nela com força. Na bunda. Na cara. Cospe. Arranha.

Ela grita para ver se ele consegue finalmente gozar. Tempo demais, e ela já está molhada de um suor viscoso. De ambos.

- Me fode garanhão, me come gostoso, me fode, caralho, que eu vou gozar. Eu tô quase gozando, porra.

- Agora você vai gozar, piranha.- Ele diz.

Ele sente um objeto pontiagudo no seu ventre. Vê gotas de sangue surgirem. Está anestesiada demais. Já deixou de sentir àquela altura da noite.

Horas depois, limpa sangue e esperma com um pedaço de papel higiênico e se despede com um aceno do gordo.

Paga sua parte pelo uso do quarto, calça as sandálias sentada num banco alto, enquanto bebe um outro conhaque no balcão. O homem cansado que lhe serve, tenta puxar conversa.

- Eu tentei te avisar para não pegar aquele. Ele já machucou sério muita menina por aqui. Não ia ser uma coisa boa no seu primeiro dia.

- Tô acostumada com a dor, querido. – ela responde.

Sai para a noite fria. Cansada. Pega no ventre e sobe um pouco mais a saia para esconder as cicatrizes. Mais.

Tantas já, pensa e suspira.

Ai, o amor

Jamais foi um sonho

O amor, eu bem sei

Já provei

E é um veneno medonho

Tão lindo seu homem. Seu escolhido. Tinha emcompridado seus olhos de menina de interior, quando aparecera. Pai viajando, mãe foi junto. Chama ele para casa. Quer saber mais dele. Mais de sí.

Ele pega na sua perna, mal chegam. Levanta sua blusa, arrepia o bico dos seus peitos pequenos com a língua. Abaixa e lambe mais. Ela entende e geme. Então é isso, pensa.

Ela se deixar levar pro quarto, ele afasta suas pelúcias. Eles deitam.

Ela suspira. Ela geme mais quando ele enfia um dedo e continua em círculos a buscá-la.

Fita aqueles olhos que ama para sempre, abre mais um pouco as pernas e despede-se de sua virgindade.

Grita quando ele arremete dentro dela, mas sente que algo mais está para acontecer, algo que vai levá-la para além daquela dor persistente. Então chegam, inundando-a toda, ondas que quase a afogam. Ele grita o nome dele. Pede mais. Ele dá.

Espreguiça sonolenta e escuta os pássaros daquela cidade no fim do mundo anunciando manhã. Com uma mão procura amor ao lado. Sente o colchão vazio. Pega em papel. Dinheiro. E uma breve nota escrita numa página branca da bíblia que guardava na gaveta.

Espero ki xegui. Quando falamos esses dias você num falô preço. Num devo mas paçar pela cidade.

É por isso que se há de entender

Que o amor não é um ócio

E compreender

Que o amor não é um vício

O amor é sacrifício

O amor é sacerdócio

Amar

É iluminar a dor

- como um missionário

Um carro para ao seu lado. Ela abaixa na janela e vê um casal dentro. O homem velho e feio, uma mulher na casa dos cinquenta de olhos baixos e mãos que remexem em seu colo. Combinam um preço.

- Entra- diz o homem- Você vai pro banco de trás, resmunga para a mulher cabisbaixa. Ambas obedecem.

Ele vai pegando na sua coxa, enquanto rí alto.

- Trinta anos de casamento, ela me flagrou na cama com outra. Quis sair de casa, vê se pode? Eu disse, agora tú vai ver, mulher, é eu comendo outra de verdade. Gargalha mais um pouco.

Depois. Roncos altos. A mulher está sentada numa cadeira, olhos cheios de lágrimas. Ela levanta e chega perto, limpa seu rosto e alisa seus cabelos. Abre um a um os botões daquela blusa discreta e pega delicadamente em seus seios. Ela arfa e a olha nos olhos. Se beijam.

Com cuidado ela continua beijando. Cada parte daquele corpo. Usa a língua, usa as mãos, usa o próprio corpo, esfrega seu sexo no da mulher. Se abre. Se abrem.

Ela sente o gozo da outra. Do silêncio que se segue, emerge uma voz tímida.

- Nunca tinha sentido isso antes. Obrigada.

Com um sorriso cansado de reconhecimento, ela cumprimenta o bêbado que mora em papelões na frente do seu prédio antigo. Para um pouco ao seu lado e aceita um gole de uma garrafa qualquer oferecida com mãos sujas e boca sem dentes. Faz uma careta, cospe e recebe um gargalhada em troca.

Continua andando.

Mulheres que escrevem demais

Porque elas pediam uma a outra. Escreve. Mais. Eu gosto. Me conta. Me inventa.
Personagens e letras. Textos. E textos.
Com canetas coloridas uma cobria o corpo da outra de caracteres inteligíveis, linguagens pessoais e secretas. Puta, a primeira dizia de sí para si, enquanto azul. Vadia, murmurava escondido a segunda, vermelha.
Mas porque em mãos femininas aqueles riscos em seus corpos nús pareciam carícias, elas se deixavam. Porque havia amor. Tanto.
Não conseguiram se lavar a tempo de receber seus homens aquela noite.

Sobre certas mortes

n

O filme é Drácula de Bram Stoker (1992)- Direção de Francis Ford Coppola

Gary Oldan como Drácula/ Conde Vlad e Winona Ryder como Mina

Porque aceitar morte e gozo é tão igual. Tão.
Sei que és, amado sombrio, meu carcereiro, mas também meu pai. És aquele, que entre sombras, me deseja mais que a tí mesmo.
Me criaste em teu desejo. Te crio todos os dias. Habitas desde sempre tudo que é dentro e íntimo e escuro em mim. Antes de saber-me, tu já estavas lá. Aqui.

Barba-azul, esqueleto ancestral, masculino eterno, ódio e tesão.
Sempre te procurei. Estás em todas as fantasias que não conto. Ofereço a tí em sonhos, buceta e boca e sangue.
Teu inferno é minha veia e minha veia te pede. Porque em algum momento, tu ao matar-me inocência e fazer-me conhecer terror, me ensinarás os ciclos que me farão rainha de mim mesma.
Sei também que no escuro que é teu reino sou mais eu do que nunca.
Como negar-me, pois?
Senhora e escrava. Sempre amante. Sempre atenta.
Tua. Sempre.
Até que um dia, em breve, o sempre se repita
.

Desafio da semana

Ok, amores. Segundo desafio do blog, que sempre será feito toda quarta-feira e tem uma semana para ser respondido (o próximo vai ser proposto pela ala masculina do blog, viu? Casanova e Donatello P., operantes e à postos?).
Então, continuando... nosso desafio é postar uma cena de cinema que nos excitou e deu margem à fantasias quando assistidas. Para dificultar o negócio, essa cena não pode conter nada explícito, no máximo insinuações.
Depois de escolhido filme e cena, continho ou frase ou afins embaixo ou por cima ou... ok? Porque? Com quem? Onde?
Sintam-se desafiados.
E não valeu a do Libertino, viu Merteuil?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Realidade inventada


Para Merteuil, amiga amada.
"Vencer ou morrer"(?)
Não importa. Não numa ”realidade inventada”.

Por gostar de homens que sussurrassem palavras proparoxítonas em seu ouvido, Luana estava sozinha já há algum tempo. Escassez não de pretendentes, uma vez que ela era linda, mas de vocabulário, nos que a queriam levá-la para a cama.
Um dia, numa esquina virtual da vida, conheceu Fernando e ficaram amigos. Ele, nascido e criado em Portugal só conhecia o Brasil através do que tinha lido de Jorge Amado. No seu delírio e desejo, aquela Brasileira que entendia tanto quanto ele de entrelinhas e metáforas, era a Gabriela, cravo e canela que sempre sonhara. Com a vantagem da inteligência e cultura.
Começaram os e-mails diários entre ambos, já que nunca mais conseguiram se encontrar on-line. E neles, as palavras. E a sedução.
Ela, já ligava o computador, antecipando com os seios arrepiados, as frases que a fariam passar o resto do dia em estado de excitação e desejo. Frases que quando respondidas com dedos úmidos, voltavam na forma de uma educação e cortesia polidas por parte de Fernando. Verdadeiras duchas frias em seu corpo, que passara a ansiar tanto por aquele homem.
Então ela aceitava o recuo dele e era também polida e educada, para ao abrir o e-mail seguinte sua calcinha ensopar e ela quase gritar de tesão. E de raiva.
Isso durou alguns meses. Até que soube. Precisava de uma estratégia, afinal aquela briga de cachorro grande já estava indo longe demais. E ela sentia-se perdida e perdendo.
Inventou Carlos, negão carioca, de pica enorme, traficante no morro, que a comia de todas as formas possíveis e sempre que queria. Contou-o a Fernando, com detalhes. Mas jurou sua amizade eterna apesar de. E afirmou que como seu amante não podia vê-la sempre, aquela relação não iria de forma alguma atrapalhar na comunicação de ambos. As minhas noites continuam suas, afirmou.
Ele aceitou, humildemente, e quanto mais tinha a coragem de com fineza européia, parabenizá-la por tanto desejo compartilhado com seu amante imaginário, mas ela se esmerava em descrever, quase sadicamente, suas trepadas, punindo-o e excitando-o.
A cada homem que passava na rua, Luana passou a exercer um fascínio de mulher bem-fudida e neles sua imaginação buscava material para o e-mail seguinte.
Contou de quando transara em todas as posições que sabia e imaginara num dia de sol, numa praia deserta, com a areia arranhando o bico do seu peito e machucando-a. Também dos três companheiros de tráfico de Carlos que revezaram-se em seu corpo, dentro de um barracão abandonado. Descreveu com esmero, os urros que deu, quando seu macho inventado comera sua bunda pela primeira vez. E todas as outras.
Sabia Fernando desesperado, quando seus e-mails rareavam. Mas ele sempre queria saber. Mais. Não, não me conte. Mais.
E ela contava.
Até que Fernando comunica num texto ausente de sua usual maestria com as palavras, que marcara a passagem para o Brasil. Tinha que vê-la. Não conseguia mais dormir, pensando nela, suada e exausta. Amolecida de tanto sexo. E não com ele. Mas exigia, não quero mais sabê-la nessa relação.
Ela gargalha, quando concorda também por escrito, e muito poeticamente, com a condição imposta por ele.
Chega o dia. Ela está dirigindo até o aeroporto para buscar Fernando, quando dois homens armados invadem seu carro. Uma máscara é arrancada e olhos negros que se destacam numa pele também negra a fitam. Ela escuta a voz de um alguém no banco de trás gritando:
- Porra, Carlos, vai deixar a puta ver teu rosto?

domingo, 25 de julho de 2010

Oral



- Para tal, exige-se concentração e zelo. Nunca em vão e sempre no momento correto, que é quando dá vontade. Mãos devem participar. Por vezes dentes, mas sempre com cuidado e perícia. Línguas devem umedecer lábios que devem despertar outras tantas salivas e fluídos. Olhar nos olhos só quando a intimidade já estiver estabelecida, para não desviar foco e atenção. A decisão entre receber gozo ou entregar-se a ele é sua.

- Mas e aí, poeta, você cospe ou engole?