quinta-feira, 16 de junho de 2011
Reflexo
terça-feira, 7 de junho de 2011
Pecado
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Palavras
- Homens que usam boné ou chapéu, de acordo com Freud, tem problemas sexuais.- decidi falar já meio bêbada. Saco cheio. A noite até ali tinha sido uma grande merda.
Era mais um final de noite, mais um. Nada de interessante se apresentava que pudesse melhorá-la. Comecei a pensar em como chegar em casa ensaiando passos silencioso para não acordar nem mãe nem cachorro bravo e dormir. E acordar. Pensei na ressaca vã. Nada demais.
Ele de alguma forma passou a ser foco quando riu do meu comentário imbecil. Bar quase vazio, nós na última mesa. Amiga mais bêbada que eu:
- Você leva ela para casa?- pergunta a traidora dos meus desejos de sossego.
- Será um prazer.- Responde o rapaz.
Policial. Não confere. Novinho demais. Não confere. Estou bêbada demais. Não confere.
Chegamos no portão da minha casa. O cachorro milagrosamente não latiu. Nos beijamos.
Confere.
Quando ele enfiou o dedo na minha buceta eu já estava tão molhada que o seu dedo entrou dentro de mim com facilidade. Nada a perder- pensei. Meninos são fáceis de lidar e já faz algum tempo...

- Você é puta? Você é?- sussurou no meu ouvido enfiando outros dedos e me enchendo de desejos e ensopando calcinha, que já, a essa altura, estava quase no chão.
- Você quer que eu seja?- respondo.
A buzina deve ter acordado alguém quando minha perna levantou demais e eu me coloquei em seu pau ou talvez tenha sido meu cotovelo ou eu que inteira bati onde não devia. Eu não contei, mas gozei já ali.
Esse menino talvez, apenas talvez, pensei, valesse mais que uma trepada no carro.
- Eu quero que você fale.- ele pede.
- O que você quer que eu fale?- falo gozando novamente.
Filho da puta dos infernos, ele é um homem que fala demais- penso.
- Tudo - Você cospe em meu ouvido.
- Enfia em mim. Mete em mim.- Grito.
Ele enfia o pau na minha boceta. Fundo. Mais. Muito. E de novo. Buzinas novamente.
- Você é puta?- pergunta novamente.
- Sou, eu sou puta. É isso que você quer? É isso que você quer, porra?

Abro mais as pernas mais e ele delicada e sensualmente enfia o dedo na minha bunda.
- Eu quero comer sua bunda.- afirma.
- Hoje não- respondo.
Arrependo logo depois.
- Eu vou gozar. Eu vou gozar, seu puto. Quer me sentir gozando?- grito (?)
- Goza, goza, goza, goza- ele repete. Eu obedeço.

- Agora eu vou gozar na sua boca.- ele determina. Novamente obediente. Eu.
Calo a boca.
Enfim.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Calor

Ontem eu acordei no meio de um pesadelo. Madrugada alta, calor nos quase quarenta. Eu nua e sedenta. Sento em frente à geladeira e depois de passar gelo entre os lábios e os seios, encho uma taça com o resto de vinho que me espia e me enche das lembranças de ontem.
Brasa entre as pernas.
Bebo e sigo em direção a janela e aos gritos e gemidos e pedidos e sussurros no apartamento ao lado.
Escuto um pouco e me decido.
Apenas alguns metros no corredor escuro, a taça entre os dedos, um leve tremor de expectativa nas mãos.
Toco a campainha. Vocês abrem sorrisos e portas.
Eu abro as pernas.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Para ler escutando tango
Eu tirei a roupa lentamente. Despida em vermelhos. Preto no branco.
Rosa na boca, olhos borrados em lágrimas de desejo antecipado e não-realizações.
Eu tirei a roupa para outro.
Você.
Não. Não. Não.
Amor das minhas vidas todas.
Ontem eu morri em não-você.
Ainda aceitas esta dança? Comigo?
sábado, 4 de setembro de 2010
Bonito
Eu quero que você arranque minha roupa e me faça gritar. Rasgue. Despedace. Eu. Quero que cubras minha boca na hora que eu grite de pedidos e vontades.
Você sabe que é meu, não sabe?
E que molhada assim só em tua língua e em você, você, você. Ais e uis.
Fazes a mim e para o que sou quando abres meu sutiã sorrindo escrotamente. Penso. Quando me fazes chorar em teu pau de tanto (di(e))vagar em mim. Sobre. Além.
Sonho.
E eu sonhei ontem que chegavas. Outra vez. Não batias na porta, mas davas palmadas carinhosas, fortes, carinhosas, sem eu saber mais o que nem onde. Na minha bunda. Como sempre foi ou deveria ser sempre, homem meu.
E eu gozava e gozava e ais e uis... você em mim...
E aí acordei.
Porque não vens logo?
Você sabe que é meu, não sabe?
Eu sou sua. Suo.
O que é bonito?
Lenine
O que é bonito
É o que persegue o infinito
Mas eu não sou
Eu não sou, não...
Eu gosto é do inacabado
O imperfeito, o estragado que dançou
O que dançou...
Eu quero mais erosão
Menos granito
Namorar o zero e o não
Escrever tudo o que desprezo
E desprezar tudo o que acredito
Eu não quero a gravação, não
Eu quero o grito
Que a gente vai, a gente vai
E fica a obra
Mas eu persigo o que falta
Não o que sobra
Eu quero tudo
Que dá e passa
Quero tudo que se despe
Se despede e despedaça
O que é bonito...
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Alma beijada

Era para que eu ter escrito antes da Merteuil aqui, já que a primeira parte da música era minha, assim como combinamos dia desses, apaixonadas que somos (como quase toda mulher que honra a cinta-liga que usa) por Chico Buarque. Mas adiei, adiei, adiei.
Enfim, cedo. Eis o conto. ponto.
Quando ele, no dia que o conheci, me deu seu sorrisinho de canto de boca que ainda hoje, um ano depois, ainda acho uma glória, eu já estava pronta. E já pertencia de forma total aquelas mãos, já me sabia sem saída e sem juízo. É claro que todo mundo adora o safado. Eu também, eu também, eu também. Mais que tudo. Mais que todos.
Ele chegou na minha vida um dia depois do meu aniversário de dezoito anos e eu ainda era mais menina do que o que pode-se chamar de mulher feita. Entre livros e músicas e sapatilhas passei sem notar pelos rapazes cheio de espinhas e más-intenções e mãos-bobas. Também pelos espelhos que não os que me mostravam pés em ponta e disciplina. Então não pude entender o porquê da sua chegada em mim, assim, como um predador. Eu presa.
Foi na boca dele que minha beleza se revelou. Que me soube e me entendi mulher. Mas romantizo, entenda... como disse antes, livros demais... Tentarei ordenar pensamentos e palavras para que saibas porque estou aqui e o que quero.
Eu estava saindo da aula de ballet, em roupas largas e passos rápidos quando um carro parou ao meu lado. Hoje sei que ele tem trinta e oito anos. Na época me pareceu um deus. Um presente atrasado. Mas na hora exata. Pensei em destino e em poesia.
Ele não falou nada e abriu a porta do carro para mim. Eu nem por um minuto hesitei. Queria sentar ao seu lado, mesmo que passageiramente. Hoje mesmo sabendo muito, também o faria. Novamente. Sem hesitar. Ele perguntou onde eu morava e eu balbuciei que não queria ir para casa. Foi aí que ele riu. E eu quase morri. Perguntou para onde eu queria ir, meu nome. E eu muda. Ele perguntou minha idade e eu me apressei em contar dos dezoito. Ele riu novamente e ligou o carro. Acelerou e alguns minutos depois, tentei me concentrar na música torcendo que ela disfarçasse o som do meu coração aos pulos. Era aquela música de Chico, sabe qual é?
Ele perguntou se eu já tinha sido beijada daquele jeito e eu só fiz balançar a cabeça em uma negativa tímida. Ele abaixou o volume, desligou o carro e me encarou. Virei o rosto e vi que estávamos numa praia. Não tive medo algum. Então ele, com uma mão terna me virou o rosto e me obrigou a olhar dentro dos seus olhos e com voz clara e doce me perguntou.
- Você quer que eu te beije assim?
Não lembro de ter falado, mas sei que meus olhos devem ter gritado que sim. Porque ele não demorou para ainda me encarando, delicadamente abaixar a alça da minha blusa e muito, muito devagar, me mordiscar o ombro. Senti meus pelos da nuca eriçarem, minha calcinha molhar quando ele começou a ir com leves beijinhos, como flores ou como penas subindo dos ombros para o pescoço do pescoço para a orelha da orelha para o rosto. Boca. Ele passou sua língua bem devagar na minha boca que se abriu num convite. Ele me beijou durante muito, muito tempo, até que eu mesma tirei a blusa e coloquei sua mão sobre um dos meus seios.
Com a ponta dos dedos ele circundou levemente meu seio que arrepiava. Eu achei que nada podia ser melhor, até que ele abaixou e enquanto uma das suas mãos insistia nessa carícia, sua língua iniciou outra doce tortura. Arfei e gemi. Ele parou o que estava fazendo, abriu a porta do carro e saiu. Eu cobri os seios com as mãos, mas não tive nenhum pudor em alguns segundos depois ir atrás dele. Já era noite. Ele estava de costas, contemplando sei lá o que. Tirei o resto das roupas sem que ele visse. Me aproximei e toquei de leve em seus ombros. Ele não virou. Beijei suas costas. Ele permaneceu onde estava. Então abracei-o, encostei meu corpo no dele numa tentativa inútil de me fundir naquele homem para sempre.
Ele virou, me olhou nos olhos e nos deitamos no chão. Ele tirou as próprias roupas e novamente me beijou. Abriu minhas pernas e alí se demorou muito tempo. Foi quando ele enfiou levemente um dedo em mim enquanto sua língua já estava brincando com meu grelo há algum tempo, que gozei pela primeira vez.
Ele perguntou se eu sabia seu nome.
- Você é o meu amor.- Eu respondi.
Vejo que você continua não entendendo o porque d´eu te contar tudo isso. Uma desconhecida. Mas está excitado. É o que me interessa. Serei clara, então. Depois desta primeira vez, estamos sempre juntos, eu estou sempre disponível, basta um telefonema, um aceno. Mas sei que ele tem outras. Muitas outras. As pessoas tem pena de mim. Eu mesma, por vezes, tenho muita pena de mim mesma.
E hoje eu escolhi você. Porque sim, eu amo esse homem de sorriso de canto de boca. E pertenço de forma total aquelas mãos, me sei sem saída e sem juízo. Mas quero ao menos tentar recuperar alguma resquício da minha alma de volta. E acho que só tem esse jeito. Então, você que trepar comigo hoje?
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Fora das horas
Adélia Prado
Eu acordei fora das horas. E quero enquanto estendo mãos e braços que estejas. Quando estás, espreguiço gostoso. Gostosa- você fala. Eu levanto rápido e escovo os dentes, endireito os cabelos, ajusto o lençol em torno do meu corpo e me jogo ao teu lado. Sorrio e te beijo. Levanto. Faço café e charme. Ninguém vê nada do que esfria. Você arranca lençol e vergonha. Eu rindo desajeitada morro no seu dedo. Na sua boca. No nosso gozo.
Nosso dia devia sempre começar assim.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Caralho
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Falando em cinema...
Eu olhava teus seios e volteavas e sorrias. Dança. Dança.
E agora?
-Puta. Puta. Puta.
Eras aquela que eu sonhava depois do beijo da minha. Mãe.
Te desejo em cada mulher que passa e tem brilho diferente. Em pulseiras, em batons vermelhos ou em olhares.
Nada é tão simples como tú. No entanto, danças?
Assistam: Nine.
Lucia y el sexo
Esse filme foi uma descoberta. Lindo. Recomendo. Mas nada a falar que não se torne poesia.
Porque as águas eram claras.
Eu, turva. Entre as pernas. Em mim. Latejares extenuantes, mas poesia em excesso. Quis gritar.
Solo, Chão. De bairro fui feita, ao barro voltarei.
Suja.
Limpaste-mes com línguas e mãos e toques e delicadezas.
- Arfar é um quase afogar-se na respiração.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Criação
Enfia nessa porra de papel em branco, caneta e lápis e pincéis e aquarela, usa um programa ou outro e me define. Me faz mulher.
- Assim? Assim? Mais? Mais?
- Agora? Agora? Posso? Posso? hummmmmmmmm. hummmmm. aaaaaiiiiiiii.....
- Sim, sim, sim. Quase... quase... qqqquuuuuaaaaaaasssssseeeeeeeeee.......
- Sou sua, baby. Para sempre.
domingo, 1 de agosto de 2010
L´amour. Ah!
Obra: ShikoTirou a calcinha e o sutiã. Pretos. Um dedo a chama. Ele levanta o vestido e se mostra.
Uma boca qualquer grita. E beija. E abre suas pernas e a lambe. Círculos lentos e molhados, dedos, um, dois, três. Deita entre os quatro.
Mãos, línguas, dedos, paus, cheiros, bucetas. Excesso.
Goza.
Bebe mais um gole da garrafa ao lado do colchão, pequeno demais, opressivo demais, antes de ficar de quatro, entre os quatro.
Excesso. Goza. Goza. Goza.
Acorda e não há mais ninguém. Bebe outro gole da garrafa ao lado e volta a dormir.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Cor

Essa é uma música para ser escutada e doída e sangrada e gargalhada e sentida com pele e nervos à flor. Não necessariamente nesta ordem.
A cor do desejo
Ney Matogrosso
A tua boca anda oca
Exatos são os teus olhos que invadem
Exatos são teus beijos que me acertam
A dor do teu desejo
Para mim a cor do desejo é muita.
Azul-claro para dias de sol morninho, apesar do céu sem nuvens e para sorrisos safados trocados na praia, entre cervejas e amigos.
Azul-caneta, manchado nos dedos da mão, ao escrever cartas que jamais serão enviadas.
Amarelo nos amanheceres com café-da-manhã e beijo leve de dentes escovados e roupa
vestida e maquiagem feita.
Verde por causa dos cheiro de jardim e da vontade de colher flores e dançar nua.
Cinza para os que não consigo.
Rosa para os que descarto.
Branco para os que me deixam cega.
Negro quando é preciso, de tanto, apagar as luzes para esquecer onde se está.
Vermelho com você, meu homem.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Vida fácil
Música: Viver de amor de Chico Buarque. Canta: Marlene
Com um sorriso cansado de reconhecimento, ela cumprimenta o bêbado que mora em papelões na frente do seu prédio antigo. Para um pouco ao seu lado e aceita um gole de uma garrafa qualquer oferecida com mãos sujas e boca sem dentes. Faz uma careta, cospe e recebe um gargalhada em troca.
Continua andando.
Arrasta a bolsa de alças compidas pelo chão e num das mãos de unhas vermelho-sangue descascadas nas pontas, carrega seus tamancos de saltos altíssimos. A boca já está já sem batom, os olhos borrados. Também vermelhos. Injetados.
Aquela seria a hora dos pássaros começarem a cantar na sua cidade. Mas não naquele lugar cinza de fumaça e de ódio.
Chuta uma porta e começa lentamente a subir o primeiro dos cinco lances de escada que vão dar no seu quitinete mofado. Muquifo. Cospe de novo.
- É um quarto-sala mobiliado, a descarga não está funcionando, use o balde. Mas não pode trazer macho para cá, viu, puta? Aqui nos damos aos respeito.
Relembra fragmentos da noite e vomita num canto qualquer lá pelo primeiro andar. Canta alto para incomodar vizinhos e esquecer. Não esquece.
Pra se viver do amor
Há que esquecer o amor
Há que se amar
Sem amar
Sem prazer
E com despertador
- como um funcionário
Aquel dia acordara num lugar estranho, com o celular tocando, sempre programado para fazê-la despertar em horror. Três da tarde. Havia sangue no meio das suas pernas.
Procura sua calcinha, se limpa. Preta. Sorte. Ao vesti-la, enxerga os dois homens que roncam por perto. Reconhece os filhos-da-puta dos policiais de sempre. Porcos. Estavam de folga e queriam se divertir. Porcos. Tenta não acordá-los e procura a bolsa. Abre. Porcos. Perdera o dinheiro da noite. Mas ainda estou viva, suspira.
Quando sai do banheiro, onde tentara se recompor na frente de um espelho cinza, o mais alto deles a empurra de encontro e com a cara na parede. Ela sente o cheiro de sexo e sujeira quando ele coloca o pau para fora, depois de segurar as suas mãos. Sente uma mordida nas suas costas. Forte demais. Porco. Enquanto ele a enraba, ela morde o lábio para evitar gritar de dor. Não que acordar o outro filho da puta. Ia ser bem pior, ela sabia.
Ele goza rápido, suando e dá um tapa na sua bunda com uma piscadela de olho. Ela séria, o encara. Ele bate-lhe na cara.
- Sorri para mim, vadia!
Ela sorri. Consegue ir embora.
Há que penar no amor
Pra se ganhar no amor
Há que apanhar
E sangrar
E suar
Como um trabalhador
Em casa, joga a calcinha no lixo. Porcos. Banho, esfrega corpo e vê as manchas roxas nas pernas e na barriga. Merda. Está atrasada e não consegue esconder com a base barata a marca dos dentes tatuadas nas costas. Merda.
Sai correndo na chuva. A saia curta e top amarelo são substituídos por uma outra pouca roupa qualquer. Tira-a na frente de homens que bebem e gritam palavrões, enquanto se esfrega num mastro de metal frio. De costas até o chão. Arreganha as pernas na frente de um gordo senhor, pega nos peitos. Passa a língua pelos lábios e faz um pequeno gesto de quem vai arranhar alguém.
Sai do palco e senta na mesa do tal gordo. Primeiro conhaque, segundo, terceiro. Fácil, pensa. Vão para o quarto. Ele tira da carteira um saquinho. Cheiram juntos. Ele bate nela com força. Na bunda. Na cara. Cospe. Arranha.
Ela grita para ver se ele consegue finalmente gozar. Tempo demais, e ela já está molhada de um suor viscoso. De ambos.
- Me fode garanhão, me come gostoso, me fode, caralho, que eu vou gozar. Eu tô quase gozando, porra.
- Agora você vai gozar, piranha.- Ele diz.
Ele sente um objeto pontiagudo no seu ventre. Vê gotas de sangue surgirem. Está anestesiada demais. Já deixou de sentir àquela altura da noite.
Horas depois, limpa sangue e esperma com um pedaço de papel higiênico e se despede com um aceno do gordo.
Paga sua parte pelo uso do quarto, calça as sandálias sentada num banco alto, enquanto bebe um outro conhaque no balcão. O homem cansado que lhe serve, tenta puxar conversa.
- Eu tentei te avisar para não pegar aquele. Ele já machucou sério muita menina por aqui. Não ia ser uma coisa boa no seu primeiro dia.
- Tô acostumada com a dor, querido. – ela responde.
Sai para a noite fria. Cansada. Pega no ventre e sobe um pouco mais a saia para esconder as cicatrizes. Mais.
Tantas já, pensa e suspira.
Ai, o amor
Jamais foi um sonho
O amor, eu bem sei
Já provei
E é um veneno medonho
Tão lindo seu homem. Seu escolhido. Tinha emcompridado seus olhos de menina de interior, quando aparecera. Pai viajando, mãe foi junto. Chama ele para casa. Quer saber mais dele. Mais de sí.
Ele pega na sua perna, mal chegam. Levanta sua blusa, arrepia o bico dos seus peitos pequenos com a língua. Abaixa e lambe mais. Ela entende e geme. Então é isso, pensa.
Ela se deixar levar pro quarto, ele afasta suas pelúcias. Eles deitam.
Ela suspira. Ela geme mais quando ele enfia um dedo e continua em círculos a buscá-la.
Fita aqueles olhos que ama para sempre, abre mais um pouco as pernas e despede-se de sua virgindade.
Grita quando ele arremete dentro dela, mas sente que algo mais está para acontecer, algo que vai levá-la para além daquela dor persistente. Então chegam, inundando-a toda, ondas que quase a afogam. Ele grita o nome dele. Pede mais. Ele dá.
Espreguiça sonolenta e escuta os pássaros daquela cidade no fim do mundo anunciando manhã. Com uma mão procura amor ao lado. Sente o colchão vazio. Pega em papel. Dinheiro. E uma breve nota escrita numa página branca da bíblia que guardava na gaveta.
Espero ki xegui. Quando falamos esses dias você num falô preço. Num devo mas paçar pela cidade.
É por isso que se há de entender
Que o amor não é um ócio
E compreender
Que o amor não é um vício
O amor é sacrifício
O amor é sacerdócio
Amar
É iluminar a dor
- como um missionário
Um carro para ao seu lado. Ela abaixa na janela e vê um casal dentro. O homem velho e feio, uma mulher na casa dos cinquenta de olhos baixos e mãos que remexem em seu colo. Combinam um preço.
- Entra- diz o homem- Você vai pro banco de trás, resmunga para a mulher cabisbaixa. Ambas obedecem.
Ele vai pegando na sua coxa, enquanto rí alto.
- Trinta anos de casamento, ela me flagrou na cama com outra. Quis sair de casa, vê se pode? Eu disse, agora tú vai ver, mulher, é eu comendo outra de verdade. Gargalha mais um pouco.
Depois. Roncos altos. A mulher está sentada numa cadeira, olhos cheios de lágrimas. Ela levanta e chega perto, limpa seu rosto e alisa seus cabelos. Abre um a um os botões daquela blusa discreta e pega delicadamente em seus seios. Ela arfa e a olha nos olhos. Se beijam.
Com cuidado ela continua beijando. Cada parte daquele corpo. Usa a língua, usa as mãos, usa o próprio corpo, esfrega seu sexo no da mulher. Se abre. Se abrem.
Ela sente o gozo da outra. Do silêncio que se segue, emerge uma voz tímida.
- Nunca tinha sentido isso antes. Obrigada.
Com um sorriso cansado de reconhecimento, ela cumprimenta o bêbado que mora em papelões na frente do seu prédio antigo. Para um pouco ao seu lado e aceita um gole de uma garrafa qualquer oferecida com mãos sujas e boca sem dentes. Faz uma careta, cospe e recebe um gargalhada em troca.
Continua andando.
Mulheres que escrevem demais
Personagens e letras. Textos. E textos.
Com canetas coloridas uma cobria o corpo da outra de caracteres inteligíveis, linguagens pessoais e secretas. Puta, a primeira dizia de sí para si, enquanto azul. Vadia, murmurava escondido a segunda, vermelha.
Mas porque em mãos femininas aqueles riscos em seus corpos nús pareciam carícias, elas se deixavam. Porque havia amor. Tanto.
Não conseguiram se lavar a tempo de receber seus homens aquela noite.
Sobre certas mortes
n
O filme é Drácula de Bram Stoker (1992)- Direção de Francis Ford Coppola
Gary Oldan como Drácula/ Conde Vlad e Winona Ryder como Mina
Porque aceitar morte e gozo é tão igual. Tão.
Sei que és, amado sombrio, meu carcereiro, mas também meu pai. És aquele, que entre sombras, me deseja mais que a tí mesmo.
Me criaste em teu desejo. Te crio todos os dias. Habitas desde sempre tudo que é dentro e íntimo e escuro em mim. Antes de saber-me, tu já estavas lá. Aqui.
Barba-azul, esqueleto ancestral, masculino eterno, ódio e tesão.
Sempre te procurei. Estás em todas as fantasias que não conto. Ofereço a tí em sonhos, buceta e boca e sangue.
Teu inferno é minha veia e minha veia te pede. Porque em algum momento, tu ao matar-me inocência e fazer-me conhecer terror, me ensinarás os ciclos que me farão rainha de mim mesma.
Sei também que no escuro que é teu reino sou mais eu do que nunca.
Como negar-me, pois?
Senhora e escrava. Sempre amante. Sempre atenta.
Tua. Sempre.
Até que um dia, em breve, o sempre se repita.
Desafio da semana
Então, continuando... nosso desafio é postar uma cena de cinema que nos excitou e deu margem à fantasias quando assistidas. Para dificultar o negócio, essa cena não pode conter nada explícito, no máximo insinuações.
Sintam-se desafiados.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Realidade inventada

"Vencer ou morrer"(?)
Não importa. Não numa ”realidade inventada”.
Um dia, numa esquina virtual da vida, conheceu Fernando e ficaram amigos. Ele, nascido e criado em Portugal só conhecia o Brasil através do que tinha lido de Jorge Amado. No seu delírio e desejo, aquela Brasileira que entendia tanto quanto ele de entrelinhas e metáforas, era a Gabriela, cravo e canela que sempre sonhara. Com a vantagem da inteligência e cultura.
Começaram os e-mails diários entre ambos, já que nunca mais conseguiram se encontrar on-line. E neles, as palavras. E a sedução.
Ela, já ligava o computador, antecipando com os seios arrepiados, as frases que a fariam passar o resto do dia em estado de excitação e desejo. Frases que quando respondidas com dedos úmidos, voltavam na forma de uma educação e cortesia polidas por parte de Fernando. Verdadeiras duchas frias em seu corpo, que passara a ansiar tanto por aquele homem.
Então ela aceitava o recuo dele e era também polida e educada, para ao abrir o e-mail seguinte sua calcinha ensopar e ela quase gritar de tesão. E de raiva.
Isso durou alguns meses. Até que soube. Precisava de uma estratégia, afinal aquela briga de cachorro grande já estava indo longe demais. E ela sentia-se perdida e perdendo.
Inventou Carlos, negão carioca, de pica enorme, traficante no morro, que a comia de todas as formas possíveis e sempre que queria. Contou-o a Fernando, com detalhes. Mas jurou sua amizade eterna apesar de. E afirmou que como seu amante não podia vê-la sempre, aquela relação não iria de forma alguma atrapalhar na comunicação de ambos. As minhas noites continuam suas, afirmou.
Ele aceitou, humildemente, e quanto mais tinha a coragem de com fineza européia, parabenizá-la por tanto desejo compartilhado com seu amante imaginário, mas ela se esmerava em descrever, quase sadicamente, suas trepadas, punindo-o e excitando-o.
A cada homem que passava na rua, Luana passou a exercer um fascínio de mulher bem-fudida e neles sua imaginação buscava material para o e-mail seguinte.
Contou de quando transara em todas as posições que sabia e imaginara num dia de sol, numa praia deserta, com a areia arranhando o bico do seu peito e machucando-a. Também dos três companheiros de tráfico de Carlos que revezaram-se em seu corpo, dentro de um barracão abandonado. Descreveu com esmero, os urros que deu, quando seu macho inventado comera sua bunda pela primeira vez. E todas as outras.
Sabia Fernando desesperado, quando seus e-mails rareavam. Mas ele sempre queria saber. Mais. Não, não me conte. Mais.
E ela contava.
Até que Fernando comunica num texto ausente de sua usual maestria com as palavras, que marcara a passagem para o Brasil. Tinha que vê-la. Não conseguia mais dormir, pensando nela, suada e exausta. Amolecida de tanto sexo. E não com ele. Mas exigia, não quero mais sabê-la nessa relação.
Ela gargalha, quando concorda também por escrito, e muito poeticamente, com a condição imposta por ele.
Chega o dia. Ela está dirigindo até o aeroporto para buscar Fernando, quando dois homens armados invadem seu carro. Uma máscara é arrancada e olhos negros que se destacam numa pele também negra a fitam. Ela escuta a voz de um alguém no banco de trás gritando:
- Porra, Carlos, vai deixar a puta ver teu rosto?
domingo, 25 de julho de 2010
Oral

- Mas e aí, poeta, você cospe ou engole?




